Poesia no metrô

Postado em Cultura, Literatura com as tags , , , , , , , , , , , , , em 26/11/2009 por Milton Sgambatti Júnior

Há pouco mais de um mês os usuários do Metrô de São Paulo podem ler poemas de Camões, Gonçalves Dias, Castro Alves, Olavo Bilac, Alphonsus de Guimarães, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e outros. Principalmente nos horários de pico, ganhamos um motivo extra para não correr para garantir um lugar no vagão. Agora é possível, enquanto esperamos pelo próximo trem, deliciar-nos com alguns poemas.

A novidade ”invade”, inicialmente, os trens e as estações da linha verde e os poemas, em língua portuguesa, foram selecionados pelo poeta Cláudio Willer e por Carlos Figueiredo. O responsável pela direção de arte é o artista plástico Antônio Peticov.

Segundo a direção do metrô e a organização do projeto uma das principais intenções da iniciativa é provocar nos usuários o interesse pela leitura. A intenção é expandir a ideia a todas as estações do metrô paulistano em 2010.

Sabemos que mesmo quando não compreendemos um poema em toda sua extensão e intenção ele pode nos tocar de modo particular e modificar nossa relação com nosso corpo e com o outro.  Que essa seja a primeira de muitas atitudes que possam incentivar a leitura, em especial a leitura lírica.

Muitos não sabem, mas em São Paulo há locais nos quais podemos ter acesso à poesia todos os dias da semana. Saraus, leituras, leituras dramatizadas, acesso a livros, etc, com texto de poetas consagrados, contemporâneos e anônimos, não há restrição. Prometo divulgar uma breve lista assim que possível.

Jornada Literária – Os Sertões

Postado em Cultura, Literatura com as tags , , , , , , , , , , em 03/11/2009 por Milton Sgambatti Júnior

sertoes01A PUC-SP planeja para o próximo final de semana a VIII Jornada de literatura “Os Sertões de Euclides da Cunha”.

Entre os convidados e palestrantes estão o prof. Dr. Erson Martins de Oliveira, o prof. Dr. Francinco Foot Hardman e a profa. Dra. Edilene Matos. A jornada tem organização e mediações das professoras doutoras Maria Rosa Duarte de Oliveira, Vera Bastazin e Maria Aparecida Junqueira.

Maiores informações e programa da Jornada em http://cogeae.pucsp.br/curso.php?cod=253609&uni=SP&tip=RE&le=O&ID=6 .

A Jornada é uma atividade de complementação dos estudos literários do curso de Especialização em Literatura e do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP de que faço parte. Esse estudo faz parte das comemorações do centenário da morte de Euclides da Cunha (1866-1909). A jornada será composta por conferências e mesas redondas de especialistas convidados, que possam mostrar a repercussão dessa obra em nossa literatura e cultura. Haverá espaço para debates e conversa com os especialistas após cada palestra.

Se gosta de literatura e acha a obra de Euclides da Cunha difícil, mas muito interessante ou instigante, venha à Jornada; a naturalidade, profundidade e amor com que o prof. Erson fala da obra nos deixa cada vez com mais vontade de penetrar na leitura d’Os Sertões. Uma leitura que modifica seu modo de ver a literatura, o Brasil e o fazer literário.

A riqueza vocabular d’Os Sertões nos prende como cipós em uma entrada de mata, só um facão pode nos ajudar. Embora a leitura e a escritura seja direta, o leitor se vê preso à obra, ao mar desconhecido de palavras de seu texto. Indico a edição comemorativa editada pela Ateliê Editorial, material totalmente organizado (prefácio, notas, edição, cronologia e índices) por Leopoldo M. Bernucci com prefácio imperdível e que orienta a leitura, excelente acabamento e com mais de 3000 notas de rodapé (muito bem tratadas e de extrema importância na leitura).

Esquenta da 33ª mostra internacional de cinema de São Paulo

Postado em Cinema, Cultura com as tags , , , , , , , , , , , , , em 14/10/2009 por Milton Sgambatti Júnior

chansons_amourO cinesesc já iniciou os preparativos para a trigésima terceira edição da mostra internacional de cinema de São Paulo, que terá estréias imperdíveis e alguns filmes dos quais já ouvi falar e prometo postar depois, mas antes disso devo lembrar a programação pré-mostra com o esquenta para a mostra.

Nessa segunda-feira fui, pela terceira vez, ao cinema para ver Canções de Amor, musical francês maravilhosamente dirigido por Christophe Honoré de Em Paris e La Belle June, todos com Louis Garrel e canções de Alex Beaupain, esse último tem participação especial no longa em momento marcante e de extrema emoção.

Bom serei breve, caso contrário ficaria horas escrevendo sobre Canções de Amor que adorei e é um dos poucos filmes que me levaram mais de uma vez ao cinema nos últimos anos…

Os imperdíveis desse esquenta, em minha modesta opinião são: Canções de Amor, Short Bus, Teorema e Você, os Vivos. A programação vai até dia 20 de outubro e aproveite, pois muitos deles estiveram por muito pouco tempo em cartaz – ou nem isso - e não há disponibilidade em DVD da maioria. Eis a triste sina dos que gostam do bom cinema (…)

Dizer que os preços são camaradas é desnecessário, pois acredito que todos já sabem disso, mas na segunda paguei R$ 2,00 pela seção. Ridículo!

Consulte a programação completa em http://ofinodamostra.com/2009/10/12/mostra-esquenta-no-cinesesc/ e divirta-se.

Ah, a trilha sonora é belíssima e só há disponível importada na Amazon inglesa (http://www.amazon.co.uk/) ou por encomenda na Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br), mas tem ótima relação custo-benefício, pois além das músicas o encarte é muito bem trabalhado.

Poética indígena

Postado em Cultura, Literatura com as tags , , , , , em 20/09/2009 por Milton Sgambatti Júnior

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Ao ler o poema de Manoel de Barros Kosmofonia MBYA Guarany tive certeza que deveria me encontrar com meus inícios.

Nesta semana, na revista Fronteiraz da PUC-SP, publiquei um ensaio sobre esse primeiro contato.

 

 

 

 

Leia-o em: http://www.pucsp.br/revistafronteiraz/estudos.html

Abaixo o poema:

 

Kosmofonia MBYA Guarany

 

Ouvi os cantos, a voz, os murmúrios

dos MBYA Guaranis. Eles me transportaram

para a fonte das palavras. Me levaram

para os ancestrais, para os fósseis

linguisticos, lá onde se misturaram

as primeiras formas, as primeiras

vozes: A voz das águas, do sol, das

crianças, dos pássaros, das árvores

das rãs… Passei quase duas horas

deitado nos meus inícios, nos

inícios dos cantos do homem.

 

Manoel de Barros

III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso

Postado em Cinema, Cultura, Música com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/08/2009 por Milton Sgambatti Júnior

lumiereNos idos de 1895 no Boulevard des Capucines, no centro de Paris, havia uma enorme fila que se estendia por centenas de metros, todos os que por lá passaram não puderam deixar de notá-la. Essas pessoas deviam imaginar o porquê de homens, mulheres e crianças estarem ali, protegidas do rigoroso inverno por pesados casacos a espera de sua vez de entrar em uma pequena sala do subsolo do Grand Café, faustosamente batizado de Salão Indiano.

Uma vez que os 100 lugares do salão estivessem tomados os expectadores, em frente a um pano branco estendido em uma das paredes do salão, assistiam a um fantástico espetáculo de luzes e movimento jamais imaginados naquela época. As imagens se movimentando em um pano branco e a verossimilhança com a realidade exibidas na grande tela eram realmente impressionantes.

A sessão durava cerca de 20 minutos e custava 1 franco por pessoa. Os que puderam participar desses primeiros momentos do “cinema” não devem ter se arrependido do tempo e dinheiro investidos.

Os responsáveis por isso eram os irmãos Auguste e Louis Lumière. Segundo Louis essa havia sido a mais fácil invenção de sua vida; nesse momento ele não deveria imaginar que seu cinema se transformaria em arte e em um negócio milionário que movimenta milhões em todo o mundo.

Em homenagem aos dois primeiros filhos do humilde casal Antoine, pintor de letreiros, e Jeanne-Joséphine, lavadeira, realizar-se-á de 7 a 16 de agosto de 2009, na Cinemateca Brasileira, a terceira edição da Jornada Brasileira de Cinema Silencioso.

Como nas edições anteriores, além das sessões dedicadas ao cinema brasileiro que contará com a exibição do filme, inédito no Brasil, The River of Doubt (O rio da dúvida), documentário da expedição à Amazônia realizada em 1914 pelo ex-presidente americano Theodore Roosevelt, em companhia do coronel Cândido Rondon, a Jornada privilegia a cinematografia nacional do período silencioso destacando os trabalhos dos arquivos de filmes de um determinado país e, nessa edição, aliando-se às manifestações relativas ao Ano da França no Brasil, apresentará o cinema silencioso francês.

Dentre os destaques da mostra, como era de se esperar, está uma coleção dos primeiros trabalhos dos irmãos Lumière. Em sessão imperdível no sábado às 19 horas será apresentada uma coletânea de curtas que terá o acompanhamento do instrumentalista brasileiro Léo Cavalcanti, que muitas vezes rouba a cena nas apresentações e acompanhamentos de que participa. Também interessantíssimas devem ser as sessões que contarão com o acompanhamento do pianista catalão Jordi Sabatés.

Além da exibição de curtas e longametragens a programação na Cinemateca e na Sala São Paulo ainda contará com conferencistas como Caroline Patte e Isabelle Marinone.

Se gosta de cinema e quer experimentar um pouco do que foi a invenção do cinema na França consulte a programação do evento em http://www.cinemateca.gov.br/jornada/prog_all.php e programe-se para perder apenas o que não conseguir “encaixar” em seus dias e horários. Por programas como esse vale a pena reprogramar esses dias de reclusão e cuidados com a saúde.

Euclides da Cunha de Os Sertões

Postado em Literatura com as tags , , , , , , , , , em 30/07/2009 por Milton Sgambatti Júnior

sertõesAcho muito estranho uma frase que contenha algo como “… em agosto celebra-se o centenário morte de …”

Não sei quanto a vocês, mas celebrar o “aniversário” de uma morte é na melhor das hipóteses mórbido. Nesses últimos dias muito se escreveu sobre o centenário da morte de Euclides da Cunha (1866-1909) e invariavelmente nos textos aparecia um dos termos: celebra-se, comemora-se, festeja-se ou outro de mesmo teor e significado.

Poucos sabem as circunstâncias de sua trágica morte, mas Euclides da Cunha morreu em 1909 durante duelo com o amante de sua esposa; sua grande obra “Os Sertões – Campanha de Canudos“, em edição comemorativa e comentada da sempre cuidadosa Ateliê Editorial, tem vocabulário incomum, temas áridos e científicos que muitas vezes requerem bibliografia ou conhecimentos paralelos à obra. O rico prefácio, as mais de três mil notas e a cuidadosa reportagem iconográfica torna essa edição um trabalho competente, rigoroso, minuncioso e correto como poucos.

A cada leitura de Os Sertões novas descobertas são feitas, nada pode ser percebido em uma única análise e leitura. Li Os Sertões em minha jovem juventude, reli alguns trechos em momentos diferentes e agora, mais maduro, mas ainda jovem, planejo sua releitura. Sei que novas experiências e sensações me esperam.

Acredito que tenha sido Italo Calvino o autor de uma frase cujo teor se assemelha a: “… ao ler um clássico, de alguma forma, experimentamos uma releitura e não uma primeira leitura …”, àqueles que ainda não tiveram o prazer de experimentar Euclides da Cunha como cientista, artista e poeta, por favor, o façam, pois são poucos os que como ele conseguem unir um sábio sensível e versátil que nos informa com precisão científica o ambiente que será desfrutado por seus personagens a um artista que nos convence e encanta com palavras que se transformam em cores, formas, movimentos, sentimentos, sensações, sons, …

 

Por fim, aos que buscam mais desse autor hoje tem início um mini-curso/palestra do editor-executivo e colunista do jornal O Estado de São Paulo Daniel Piva em três encontros na Casa do Saber (informações e inscrições através do telefone (11) 3707-8900).

Filme: A festa da menina morta

Postado em Cinema com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 25/05/2009 por Milton Sgambatti Júnior

004. A festa da menina morta - cartazApós ter feito parte da seleção oficial de Cannes de 2008 e de ter sua primeira exibição no dia de abertura desse Festival, finalmente terá pré-estréia no próximo final de semana e estréia na segunda semana de junho o primeiro longa do paulista Matheus Nachtergaele: A festa da menina morta

Esse pulsante, delicioso e angustiante filme retrata um Brasil pouco conhecido pelo seu próprio povo, pelo menos pela maioria dos habitantes de seus grandes centros urbanos.

 

O filme conta a história de uma espécie de santo visceralmente interpretado por Daniel de Oliveira em atuação, como de costume, brilhante. Para alguns, inclusive para mim, Daniel de Oliveira já é o melhor ator brasileiro de sua geração. A intimidade com que ele incorpora as características de sua personagem faz com que a amemos e a odiemos em um mesmo momento do filme, isso faz a história tão real quanto seria se fizéssemos parte dela.

A escolha do elenco, mesclando os atores profissionais e os atores de teatro de Manaus com os selecionados na comunidade local, tem na participação pessoal e presencial de seu diretor seu grande diferencial. Matheus Nachtergaele fazia com que todo o elenco participasse de uma dança local para facilitar a integração e a concentração antes de iniciar cada dia de trabalho.

 

A festa da menina morta resgata uma época em que o cinema nacional retratava o nordeste brasileiro com a visão do poeta e artista local como em Deus e o diabo na terra do sol de Glauber Rocha ou em Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos, já estava farto de ver os poucos filmes brasileiros que retratavam a região Norte serem feitos ou terem a visão do cineasta “estrangeiro” sobre a região, pois, embora muitos não aceitem somos estrangeiros em nosso próprio país.

 

Estrangeiro era Matheus Nachtergaele quando presenciou, no interior da Paraíba, um ritual pagão em que fiéis tinham verdadeira devoção pelas roupas de uma menina morta; inspirado nessa história desenvolveu o enredo. Nele uma comunidade ribeirinha, localizada às margens do Rio Negro no Amazonas, se dedica a adorar as roupas de uma menina tida como morta e que fala pela boca de Santinho (Daniel de Oliveira), uma espécie de líder espiritual que faz milagres e abençoa uma infinidade de pessoas todos os dias.

 

Em muitos momentos o filme é deliciosamente angustiante, vale lembrar aos que o forem ver, e acho que todos devem, pois é imperdível, que a primeira cena nos introduz àquela que mais nos atormentará durante todo o longa, mas nosso coração e cabeça puritanos nunca deixariam que isso se tornasse real antes de vermos a cena realizada na tela.

Não existe pudor nem cuidados desnecessários nessa fábula de uma população que almeja não mais que o bem viver.

 

Atores maravilhosamente dirigidos e em atuações impecáveis como as de Daniel de Oliveira, Jackson Antunes e Cássia Kiss e o som muito bem trabalhado em que muitas vezes o que se ouve é o som da cidade e não uma música que tem por intenção gerar este ou aquele sentimento dão o tom dessa fantástica história em que a personagem principal se transforma em sua agonia construindo e reconstruindo sua personalidade descobrindo-se humana, mortal e cheia de dor até que para ela não importa mais se suas crenças são ou não verdadeiras ou se seus dramas particulares são ou não importantes. Ela é o que seu povo quis que ela fosse.

Enfim Santinho torna-se “santo” e descobre que viver é sentir dor e que como líder religioso isso pouco importa se ele puder trazer conforto para os que nele crêem.

 

O mais obrigatório e poético dos recentes filmes nacionais. Matheus Nachtergaele novamente se revela um ser humano impar, assim como as personagens principais de seu primeiro longa.

Assista ao trailer em http://www.youtube.com/watch?v=74hgxdX-jhw

A poesia de João da Cunha Vargas

Postado em Cultura, Literatura, Música com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , em 06/04/2009 por Milton Sgambatti Júnior
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foto de apresentação do Vitor Ramil no SESC-SP em 2008

Na época de minha jovem juventude esperava com muita expectativa pelo ano 2000, sabia que com ele bem mais que meus 28 anos chegariam. Nesse ano ouvi falar pela primeira vez de um gaúcho chamado Vitor Ramil, ele viria a São Paulo para apresentar seu mais recente CD gravado em duas versões (português e espanhol) que contava com algumas de suas milongas; segundo a chamada de sua apresentação ele cantaria algumas das poesias de João da Cunha Vargas e de Jorge Luis Borges.

Admirador de Borges e sem a menor idéia de quem seria João da Cunha Vargas ou Vitor Ramil me aventurei a vê-lo.

Depois de ouvir, conhecer e falar com Vitor Ramil entendi melhor o que José Saramago havia dito uma vez em um programa de televisão: “não perca tempo, mas não tenha pressa“.  Ouvir a música que ele encontrou em um dos poemas de Jorge Luis Borges, noutros de Fernando Pessoa, de Maiakóvski, de Rimbaud e principalmente do gaúcho João da Cunha Vargas foi uma das experiências mais impressionantes e inesquecíveis daquela noite.

Outra foi “conhecer” João da Cunha Vargas (1900 – 1980), um homem campeiro, poeta que jamais escreveu seus versos, guardando-os sempre “apenas” na memória e segundo dizem, homem a primeira vista simples, mas de uma sonoridade na voz que poucos possuiam. Vitor Ramil registrou em papel e já musicou quase toda sua obra, ao escrevê-la e depois musicá-la fez dela uma leitura como apenas outro rio-grandense conseguiria fazer.

Um dos poemas de João da Cunha Vargas de que mais gosto é Deixando o Pago que pode ser lido em http://www.paginadogaucho.com.br/poes/jcv-dp.htm e ouvido em http://www.mp3tube.net/br/musics/Vitor-Ramil-Deixando-o-Pago/67886/ sugiro que primeiro leia o texto e depois ouça-o na voz de Vitor Ramil, vencedor do Prêmio Tim de música brasileira na categoria voto popular. Além de imperdível esse contato fará com que você conheça parte de um Brasil que, infelizmente, poucos conhecem.

Outros dois poemas merecem referência, não apenas por suas singularidades, mas para mostrar a variedade da arte de Vitor Ramil. O primeiro deles é Noite de São João de Fernando Pessoa (leia em http://www.pessoa.art.br/?p=244 e ouça em http://www.youtube.com/watch?v=ZL5TVzkWPts), o outro, do folclore Uruguaio, é o deliciosamente sonoro Milonga (leia em http://letras.terra.com.br/vitor-ramil/200619/).

Desculpem-me pelo excesso de referências e links, mas quando falo desse assunto talvez me empolgue mais do que deveria. Noutro tópico falarei das coisas que Jorge Drexler e Vitor Ramil têm feito juntos, nesse queria escrever sobre o quão próximos estão poesia e música e deixar clara minha leiga opinião de que uma sempre serviu e servirá a outra.

Sem a música eu talvez nunca tivesse contato com a poesia de João da Cunha Vargas e sem a poesia de Jorge Luis Borges a música de Vitor Ramil estaria longe de me atrair em um primeiro instante.

Não sei dizer quem se sobressai nessa interrelação entre música e poesia, mas que somos os maiores beneficiados do resultado disso não tenho dúvida.

Ao relembrar essa história percebi que algumas coisas têm início em momento anterior ao que pensamos e que o melhor da juventude é o que vem com ela (e dela). Como disse Saramago continuo em frente, mas sem pressa.

Era uma vez…

Postado em Cultura com as tags , , , , , , , , , , , em 10/03/2009 por Milton Sgambatti Júnior

003-era-uma-vezEm 2007 e 2008 fiz alguns cursos sobre a arte de contar histórias no SESC e no Galpão das Meninas do Conto. Participei de todos os módulos de formação do contador de histórias das Meninas do Conto. No módulo final do curso, uma das meninas me perguntou qual era o tipo de história eu mais gostava de contar e eu respondi: “Adoro histórias de era uma vez…, mesmo se a história, originalmente, não começa assim eu adapto seu início e começo desse jeito.”

Se você também adorava as histórias que seu avô ou sua tia lhe contava fique ligado, pois em breve terá a oportunidade de ser um multiplicador da tradição de transmissão oral de histórias e conhecimento.

Durante os cursos conheci duas pessoas magníficas em muitos sentidos: Kika Antunes e Simone Grande, as Meninas do Conto. Elas já receberam prêmios da APCA, da FUNARTE e da FEMSA; fazem espetáculos e apresentações de contação de histórias que agradam a pessoas de 3 a 80 anos. Já me diverti e aprendi muito com essas duas “meninas”.
Em abril elas iniciam uma nova turma para a oficina: a Arte de contar histórias. Se você gosta de contar histórias, se faz teatro, se quer aprender a conviver ou a liderar grupos ou apenas se quer conhecer pessoas especiais faça o curso das Meninas do Conto, com ele você aprenderá muito mais do que contar histórias.

O curso tem como principal objetivo resgatar a arte do Contador de Histórias e assim formar multiplicadores potenciais desta linguagem, através de técnicas como: jogos dramáticos, conscientização corporal, pesquisa de jogos e brincadeiras tradicionais que fazem parte da nossa cultura.
Definir a figura do Contador de Histórias, trabalhando: a presença, o olhar, a credibilidade, a voz e o corpo.

Acredito que nesse curso você terá a oportunidade de, a partir de uma história narrada, entender a importância de um estudo prévio das histórias assim como criar um momento de sensibilização com as crianças, ou adultos, antes da narração das histórias.

O curso começa dia 1º de abril e terá cinco encontros de 3 horas, sempre às quartas-feiras à noite. Maiores informações podem ser obtidas em http://www.meninasdoconto.com.br/index.htm, por e-mail: meninasdoconto@uol.com.br ou através dos telefones (11) 3672.8206 ou (11) 3868.4598.

Faça o curso e conhecerá a engraçadíssima Kika Antunes e a nada séria Simone Grande. Se não puder fazer o curso fique ligado no site das Meninas do Conto e vá a uma de suas apresentações; dentre as que mais gosto está “Era uma vez e não eram duas nem três“.