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a-troca-cartazClint Eastwood tem dirigido como poucos filmes que tratam de mulheres e de seus sentimentos. Ainda não é verdade, mas se continuar nesse caminho pode ser para o cinema o que o Chico Buarque é para a música brasileira, mas para isso se tornar verdade ele precisa escolher melhor seus roteiristas.

Neste longa ele parece ter tido que salvar uma história das mãos e mente quase sempre conturbadas do roteirista J. Michael Straczynski (de Chuck Norris é a Lei – isso esclarece muita coisa, não?).
Não é o melhor filme de Eastwood, mas mostra sua força em dirigir cenas auto-explicativas e sem diálogos, como quando Christine (personagem de Angelina Jolie) sai de casa para o trabalho e a câmera se reveza entre ela e a imagem de seu filho que a admira pela janela.

Não tem como não lembrar de Sobre meninos e lobos, pois nesse drama também se discute a transmissão de culpa, é verdade que de modo menos interessante, pois nesse caso as personagens foram caracterizadas de modo muito unilateral e possuem perfis demasiadamente definidos. Tudo o que o chefe de polícia Jones (Jeffrey Donovan de Encontros ao acaso) diz está errado e tudo o que o reverendo Briegleb (John Malkovich de Queime depois de Ler) diz está correto. Se houvesse um pouco mais de dúvida ou ao menos dualidade entre as opiniões das personagens e deve ter havido, pois o filme é baseado em uma história real, ele se mostraria um drama mais instigante e interessante.

No desenrolar da história não há recompensa fácil nem soluções milagrosas. O roteiro foi tratado, dessa vez, de modo menos conturbado por J. Michael Straczynski (que teve passagem não agradável por Homem Aranha), e pelo que parece Clint Eastwood salva o filme.
Devemos dar graças por não ter sido dirigido por Ron Howard.

A utilização do logo da Universal dos anos 30, época em que a história se passa, dá ao filme um ar noir do cinema do início do século. Isso fica ainda mais claro nas cenas em que um chapéu encobre parte dos olhos de Christine deixando seu semblante parcialmente encoberto.
Esse artifício, que vem das mãos do diretor, funciona de modo ainda mais especial em Angelina Jolie, pois se seus olhos não podem ser vistos seus sentimentos ficam todos reservados aos seus lindos lábios, e ela soube como se fazer entender.

Angelina Jolie, a única mulher em um mundo de homens poderosos apresenta uma força que não está apenas na construção de sua personagem, mas no vermelho de seu batom contrastando com o cinza-escuro dos paletós ou sobretudos masculinos.

Jolie está especialmente bem na primeira parte do filme, mas quando começa a sofrer com o poder da polícia e da imprensa as caricaturas que Clint Eastwood já havia feito com a família de Hilary Swank em Menina de ouro tira um pouco de seu brilho; esse volta, mas não com total força na parte final do filme que tem desfecho acertado e muito interessante.

O filme é feito para que Angelina Jolie brilhe e ela brilha, não acho que mereça prêmios de melhor atriz, pois Anne Hathaway teve atuação quase perfeita em O casamento de Rachel, não fosse por isso ela mereceria todas as glórias de melhor do ano.

Veja o trailer em: http://www.youtube.com/watch?v=b4yGN_cRMvM&feature=related

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Um pensamento em “Filme: A troca

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