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Que delícia é ver um filme de Arnauld Descplechin com a Catherine Deneuve. Essa era a minha principal sensação ao sair de Um conto de Natal.

A maravilhosa interpretação de Catherine Deneuve que, naturalmente, dispensa apresentações, acompanhada, em papel novamente secundário, de uma cada vez mais à vontade Chiara Mastroianni (de Canções de Amor), torna esse filme uma agradável surpresa de Natal.
Não posso deixar de registrar que a interpretação que mais chama a atenção é a de Emile Berling (neto de Junon, personagem de Catherine Deneuve) que em muitas oportunidades rouba a cena.

Nesse realista filme de Arnauld Desplechin, sim realista, pois ele acredita que normais são as famílias disfuncionais, uma reunião de Natal é tratada com extremo realismo, a ponto de um mesmo personagem lhe causar raiva e compaixão em momentos distintos.
Esse realismo fica ainda mais claro ao percebermos que as personagens não seguem a lógica ou a razão nessa reunião familiar; elas seguem seus mais puros instintos com reações de auto-proteção em cada uma de suas falas ou ações.
Sem meias-palavras Arnauld Desplechin deixa suas personagens nuas em cena de modo que podemos saber o que se passa com cada uma apenas pela excelente música de fundo ou pela sua expressão facial.

Uma reunião familiar em que as diferenças normalmente se exarcebam pode ser tratada de modo agressivo como em Feliz Natal de Selton Mello ou de modo agressivamente realista como em Um conto de Natal. Se a fotografia e o elenco fossem mais bem tratados e trabalhados talvez o filme de Selton Mello pudesse causar as mesmas sensações que o de Arnauld Desplechin.

O que parece ser o padrão do atual cinema francês se reapresenta, a história é dividida em capítulos e esses são nomeados na tela sempre que se iniciam. Será que a intenção disso é tentar tornar o cinema francês menos elitista como costuma ser classificado? Não creio, mas gosto desse formato.

Em um filme verborrágico os diálogos são seu ponto forte e são muito bem intercalados com pequenas interrupções dos personagens olhando diretamente para a câmera ao narrar suas histórias. Destaque para a melhor maneira como uma carta foi lida. Se for ver o filme fique atento à maneira, nada usual, com que a carta de Henri (Mathieu Amalric) para sua irmã Elizabeth (Anne Consigny) é lida por essa. Nunca havia visto algo desse gênero, nem na ação propriamente dita nem na emoção e realidade com que a cena é feita.

Um filme para ser visto depois do Natal e sair com uma sensação de felicidade que só um ótimo filme pode causar. A cada dia fico mais fã do cinema francês e de seus novos diretores.

Veja o trailer em: http://www.youtube.com/watch?v=L8pnzR2zfAs

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2 pensamentos em “Filme: Um conto de Natal

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