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O caminahnte sobre o mar de névoa de Caspar Davis Friedrich ilustra as primeiras edições de Werther

O caminhante sobre o mar de névoa de Caspar Davis Friedrich ilustra as primeiras edições de Werther

No início do ano reli Os sofrimentos do jovem Werther de Goethe. Adoro esse livro, o li pela primeira vez aos 16 anos ainda no colégio e cada vez que o releio tenho novas sensações e algumas passagens ganham novo sentido.
Em um trecho o protagonista expõe a seu melhor amigo uma comovente e impressionante reflexão sobre os mistérios do amor e, para ilustrá-la descreve um caso pitoresco. Ainda movido pelas novas sensações sentidas ao reler Werther transcrevo o trecho:

“Wilhelm, sem o amor, o que o mundo seria para nossos corações? Uma lanterna mágica sem luz. Basta acender a lamparina para aparecer na parede branca imagens de todas as cores. E ainda que não fossem mais do que isso, fantasmas passageiros, constituem nossa felicidade se os contemplamos como crianças felizes e nos extasiamos diante dessas maravilhosas aparições. Hoje não pude ver Lotte, me reteve uma visita iniludível. O que fazer? Enviei meu criado apenas para ter ao meu lado alguém que estivesse estado perto dela. Com que impaciência fiquei esperando-o, com que alegria voltei a vê-lo! Se não tivesse ficado com vergonha, teria gostado de pegar sua cabeça e a teria beijado.

Conta-se que a pedra-de-bolonha, quando colocada debaixo do sol, absorve os raios e resplandece por algum tempo durante a noite. O mesmo aconteceu com meu criado. A sensação dos olhos dela pousara em seu rosto, em suas faces, em seus botões e na gola de sua casaca, tornando-o tão sagrado, tão valioso! Naquele instante, não teria trocado meu criado por mil táleres. Sentia-me tão feliz em sua presença…! Deus te livre de rir. Wilhelm, será a felicidade produto da fantasia?”

Sensacional, não? Goethe é capaz de atingir nossos corações com sensações que nem mesmo conhecíamos e o mais interessante é que não importa qual é nossa idade ou nosso estado emocional. Ele nos toca!

Por muitas razões acho Werther um livro imperdível, uma obra atemporal que desde o século 18 é capaz de descrever os sentimentos de adolescentes, jovens e adultos. Sempre que me sinto mais duro devido ao tempo e aos caminhos que a vida me fez tomar leio ao menos um trecho de Werther e me deixo emocionar com e por ele. Como diz minha mãe: chorar faz bem. Sempre.

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