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alguem-que-me-ame-de-verdade-catraz1Alguém que me ame de verdade pode ser classificada como uma elegante e bem humorada parábola que mostra o quão infeliz podem ser as escolhas de títulos nacionais para filmes estrangeiros.

O original Arranged, sem termo equivalente em português, fala de culturas em que os membros mais experientes de uma família, normalmente os pais, tratam de “arranjar” casamentos para seus filhos.A dupla de diretores Diane Crespo e Stefan C. Schaefer que também assina o roteiro em parceria com Yuta Silverman, contam uma história leve sobre duas professoras: Rochel (Zoe Lister Jones que até então só havia feito participações em curtas ou em seriados de TV), uma judia ortodoxa e Nasira (Francis Benjamou de Heróis Imaginários), uma muçulmana. Essas duas mulheres levam suas vidas de acordo com os preceitos de suas culturas e religiões. O que parece uma tentativa de mostrar que elas não concordam com parte das regras mais severas impostas por seus pais, na verdade mostra o quão são submissas e acreditam nelas.

Jovens e bonitas, as duas são bem comportadas e aparentemente concordam em casar com alguém escolhido por seus pais dentro de sua própria comunidade.

Fora do mundo ortodoxo dessas duas mulheres tudo é mostrado de modo caricato.
A diretora do colégio em que Rochel e Nasira trabalham é uma feminista exagerada e sem nenhum tato e Leah (Alysia Reiner de Sideways) prima de Rochel que abre mão da família e da ortodoxia para viver livre e seguindo seus próprios princípios também tem comportamento duvidoso e caricatural.
Nesse último caso o que pode parecer outra visão do comportamento judeu mostra-se como um estereotipo de como é a vida desregrada dos jovens sem cultura ou apoio religioso; muita caricatura e pouca realidade embora os conselhos de Leah à Rochel devem ser ouvidos com atenção e carinho por ela e por todos nós.

Mas o filme não é apenas caricatura e submissão, um de seus momentos mais interessantes é um exercício que Rochel sugere que seja feito durante a aula de Nasira para trabalhar com os alunos valores como amizade, respeito, inclusão, direitos e escolhas. Nesse exercício o julgamento é posto no banco dos réus e cada um dos expectadores é convidado a participar dessa sala de aula e opinar.

O casamento arranjado que cada uma parece fadada a aceitar serve como pano de fundo para o que há de principal no enredo que é a amizade e o respeito entre povos tão castigados pela história e pelo preconceito e como esses valores podem ser cultivados apesar das resistências familiares. A “esperança” de encontrar alguém que as ame de verdade é o menos importante.

A grande mensagem do filme é que mesmo nas mais tradicionais culturas alguns podem abrir mão de escolhas importantes, como a da pessoa com quem quer se casar e viver o resto de suas vidas, mas ninguém irá interferir nas escolhas de suas amizades. Os laços de amizade, como sempre, parecem muito mais fortes que os do matrimônio.

Um belo filme para os dias em que se quer ver algo interessante e leve.

Veja o trailer em: http://www.youtube.com/watch?v=MZcGfoE7bRw&feature=related

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