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009-duvida-cartazDoubt, título perfeito que em momento de rara lucidez foi traduzido para Dúvida, simplesmente dúvida. Nada como manter o título original de um filme. Sempre prefiro os títulos originais, nesse caso, em especial, não poderia ter sido diferente, pois o longa respira dúvida como não acontece em nenhum outro há tempos.

Além da dúvida o filme passeia por outros sentimentos: medo, culpa, sensação de se estar perdido; todos sentimentos que a dúvida trás consigo. Excelente roteiro, cuidadosa direção e excepcionais atuações.

John Patrick Shanley que ganhou o prêmio Pulitzer em 2005 pela autoria e direção de peça homônima, dirige o longa de forma bastante interessante e original; como poderíamos esperar as atuações são cuidadosamente trabalhadas e, muitas vezes, perfeitas, todos os planos e cenas escondem algo, possuem algum tipo de significado. As marcações e as movimentações dos atores ocorrem de forma tão conectada que em determinados momentos nos hipnotiza. E isso é ótimo. Dessa maneira o expectador participa da narrativa, torna-se uma personagem da trama e é constantemente convidado a compartilhar tudo o que acontece a cada momento e desse modo sente e pensa na dúvida. Um filme dirigido por um diretor de teatro que produz as sensações que só o teatro pode causar, mas sem parecer teatro, brilhante.

O filme se passa nos anos 60, irmã Aloysius (Meryl Streep de As horas e O diabo veste Prada) é diretora de um colégio de freiras em que a irmã James (Amy Adams de Encantada) é professora. Esse colégio é vinculado à igreja do padre Flynn (Philip Seymour Hoffmann de Capote). Colégio e igreja nem sempre falam a mesma língua e é assim que a trama se inicia.
Meryl Streep é a melhor do elenco, mas Philip Seymour Hoffmann responde à altura com brilhante atuação, há um momento no filme em que apenas os dois contracenam por um longo período de tempo em um diálogo verborrágico com texto e direção perfeitas. Se tivesse um controle remoto nas mãos veria a cena novamente antes de continuar a ver o filme. Deus do céu como eles são bons!

Fica claro que John Patrick Shanley veio do teatro, pois ele se importa, e muito, com as performances e para isso teve um time de peso para dar vida a suas personagens, além de Streep e Hoffmann escolheu a cada vez mais competente Amy Adams que, imerge em sua personagem e, muitas vezes rouba a cena com momentos de grande inspiração

Embora os atores estejam no que parece ser um excelente duelo de atuações a que mais me impressionou foi a de Viola Davis (de Traffic e vencedora do Tony em 2001 por King Headley II) que interpreta Mrs. Miller, a mãe de um aluno do colégio e coroinha da igreja. Ela fica poucos minutos em cena e consegue impressionar com sua força e com a maneira com que deu vida a sua personagem em suas sensações e reações. Uma das perguntas do filme é se a certeza é uma emoção ou um fato e a interpretação de Viola Davis nos trás essa dúvida.
Sua interpretação é tão impressionante que no pouquíssimo tempo em que fica em cena, sua personagem nos causa dó e ódio e no final não sabemos o que pensar dela. Ela ama, protege e compreende seu filho, mas como e até que ponto isso é benéfico?
A agilidade da trama é tamanha e a cena seguinte é tão forte que nos vemos profundamente envolvidos por ela, e desse modo definir o que pensamos do forte e importante personagem de Viola Davis chega a ser desnecessário.

Entre no jogo do diretor. E se puder apague da memória o último minuto do filme. Suas duas últimas frases são desnecessárias e quase estragam o roteiro.

Veja o trailer em: http://www.youtube.com/watch?v=aYCFompdCZA

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