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o-leitor-cartazStephen Daldry até hoje só dirigiu três longas e não por acaso todos obtiveram muito sucesso, embora fossem discretos, sem efeitos especiais mirabolantes ou divulgação publicitária arrasadora.

Billy Elliot, seu primeiro longa, conta a história de um garoto que só consegue falar do que o angustia ou fascina através da dança. Um empolgante registro de como a obstinação pode vencer a intolerância e as dificuldades financeiras.
A paixão de Billy Elliot pela dança representa sua salvação e, de certo modo, de toda a comunidade em que está inserido.

Em As horas, retrata os fantasmas que guardamos escondidos no lugar mais profundo de nossas mentes e os estragos que esses são capazes de causar. O fracasso de Virginia Woolf e de Richard Brown é produto da depressão, que se manifesta pela impossibilidade que têm de conviver com seus fantasmas, mas esse fracasso não impede que seus trabalhos possam contribuir para a redenção de terceiros, mesmo que seus artistas criadores não saibam ou que isso lhes tenha custado a vida.

Características como essas são tratadas em O Leitor. O silêncio é consciente e voluntário, a ética, o amor, a consciência, a vergonha e a quebra de barreiras aparecem como elementos libertadores para Hanna (Kate Winslet de Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Titanic) e Michael (na juventude David Kross de The Satanic Mill e, na idade adulta, Ralph Fiennes de O Jardineiro Fiel e Harry Potter).

Stephen Daldry sempre gostou de abordar aquilo que não pode ser dito por suas personagens, e isso foi cuidadosamente trabalhado em O Leitor, a renúncia à vida é apresentada como uma forma de obstinação. Hanna e Michael dividem um segredo cuja revelação poderia libertá-los, mas preferem ocultá-lo, para preservar seus sentimentos mais íntimos e profundos e principalmente a dignidade de Hanna.

Stephen Daldry demonstra novamente o porquê de ser um dos melhores diretores do cinema contemporâneo, capaz de conseguir tirar de uma nem sempre expressiva Kate Winslet sensações que nem ela mesma julgou conseguir transmitir, ou de transformar o jovem Davis Kross no melhor a ser visto no filme. O rapaz está incrível!
A troca de fortes olhares na segunda vez em que Michael e Hanna se encontram, a maneira como Michael assiste aos depoimentos de Hanna com a alma devastada e o coração destroçado e as discussões no curso de direito onde se indaga se países são governados pela moral ou pelas leis são algumas das coisas imperdíveis de O Leitor.
Teria sido muito melhor se o trabalho de maquiagem feito em Kate Winslet não me tivesse feito lembrar minha tia velha que sempre exagera ao se maquiar e já não enxerga direito. Terrível!
Para um filme desse porte, um deslize imperdoável.

Se for um bom leitor anote as obras citadas por Michael, são clássicos belíssimos.
Horácio, Homero, Tolstói, Tchékov e Schiller dispensam apresentações.

Ao assistir ao filme fiquei tocado com o adolescente que pensou que não fosse bom em nada e que quanto mais sofre mais é capaz de amar.
Talvez a principal mensagem dos filmes de Stephen Daldry seja a de que é preciso enfrentar alguns de nossos fantasmas.

O leitor é uma espécie de filme plural: é romance, drama e um estudo de como a personalidade dos culpados pode interferir na história. Um bom filme. Se puder veja.

Veja o trailer em: http://www.youtube.com/watch?v=I50ZKFCqr8g

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