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x3-cinemateca-francesaEm 1914 nasceu, em Paris, Henry Langlois e desde cedo sua paixão por cinema o levou a adquirir e colecionar vários títulos de filmes. Essa ação não dava prioridades a um ou outro gênero, ele colecionava filmes, fossem clássicos, faroeste, comédias, filmes mudos, curtas-metragens, documentários, etc.

Sua coleção não era motivada pelo desejo de um vulgar colecionador, mas sim pela intenção de salvar os títulos para poder mostrá-los ao maior número de pessoas possível, ele queria difundir a arte do cinema, que ele acreditava ser um dos maiores tesouros de seu tempo, e assim inspirar e divertir a todos, sem preconceitos ou pré-conceitos.

Aos 21 anos fundou um círculo de cinema cujo principal objetivo era exibir, gratuitamente, os filmes de sua coleção a qualquer um que os quisesse assistir. Esse círculo foi o embrião do que, em 1936, viria a se tornar a Cinemateca Francesa, uma das maiores instituições culturais do mundo. Em minha modesta opinião a Cinemateca Francesa foi para o cinema o que a Biblioteca de Alexandria foi para a história da literatura e da humanidade.

O rico, variado e extremamente organizado patrimônio de Henry Langlois provocou admiração nos meios cinéfilos do mundo todo e muito do que conhecemos do cinema dos anos 50 e 60 se deve as influências da Cinemateca.

Inspirados nas seções “filhos da cinemateca” Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol, Eric Rohmer e outros deram forma à Nouvelle Vague, um dos mais importantes movimentos do cinema francês.

Em 1968 a Cinemateca Francesa quase foi fechada, mas uma manifestação pública levou milhares de pessoas às ruas e à frente da Cinemateca para protegê-la das ridículas ordens do ministro Malraux.
Além do próprio Langlois estavam na manifestação nomes como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Joseph Losey, Roberto Rossellini, Nicholas Ray, Catherine Deneuve e Jeanne Moreau. Uma barreira humana com o apoio de quase a totalidade da população da capital francesa forçou o ministro a recuar e salvou a Cinemateca.

Muitos anos mais tarde Bernardo Bertolucci mostra parte dessa história no maravilhoso Os sonhadores alternando a narrativa de sua história com cenas reais da época faz uma bela homenagem àquele que foi o responsável por muito do que o cinema europeu é hoje.

Se puder assista Os sonhadores, assim conhecerá um pouco dessa história pelos olhos de Bertolucci e levará de bônus um belo filme contemporâneo de um dos maiores diretores do cinema italiano.

Algumas vezes me vejo como a Cinemateca Francesa; no cinema, assisto de tudo, sem preconceitos ou pré-conceitos. A anos-luz de Langlois, mas muito perto de seu amor pela arte e pela cultura.

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Um pensamento em “Henry Langlois e a Cinemateca Francesa

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