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Nas décadas de 60 e 70, antes da popularidade das novelas e de seus galãs explodirem quem animava as noites da televisão brasileira eram os telecatches Fantomas, Búfalo Bill, Aquiles, Bala de Prata, Ted Boy Marino, Tigre Paraguaio e muitos outros membros do programa Gigantes do ringue.

Ao assistir ao filme O lutador de Darren Aronofsky (do excelente Réquiem para um sonho), novamente me surpreendi. Me diverti muito durante o longa, pois me lembrei de nossos Gigantes do ringue e imaginei-o como um documentário, mas O lutador não é só isso, ele tem momentos muito interessantes, em alguns deles as pessoas, e eu também, choravam ao sentir a emoção que Mickey Rourke conseguia transmitir, é ele realmente consegue! Fiquei impressionado com sua interpretação. Ele está de volta e mais assustador que nunca.

O filme tem uma simplicidade que raras vezes foi vista durante um longa desse gênero, no início do filme a demora em mostrar o rosto de Randy (Mickey Rourke de Sin City) cria um suspense que ajuda com que ele cative cada um dos expectadores com sua agonia.
Uma agonia que a maioria de nós nem imagina que possa existir; o filme conta a história de um lutador de luta livre, com cara de poucos amigos, que usa maquiagem, roupas chamativas e participa de lutas coreografadas e vive em um submundo invisível para nós.
O filme retrata uma época e uma vida estranhas, sórdidas e mostra que mesmo lutadores de luta livre e strippers têm sentimentos e vida depois, ou antes, de suas ocupações “profissionais”.

Perceber os desmazelos comuns da vida cotidiana de pessoas que não tem mais o que esperar da vida é terrível e nas mãos de Aronofsky fica ainda mais arrebatador. O diretor consegue devastar a mente de quem o assiste, cada um se emociona e sofre a sua maneira.
A interpretação de Mickey Rourke é incrível, pois a meu ver, para um ator parece muito mais fácil despir-se de sua realidade e criar outra pessoa a usar detalhes de sua própria vida para compor um personagem já sem esperanças.

Um dos momentos mais marcantes do filme acontece quando Randy diz que não tem mais o que fazer da vida senão lutar, pois o único lugar onde se machuca é lá fora.
Imaginar que o mundo lá fora lhe fez mal maior que a vida e os abusos de lutador é demasiado cruel, mesmo para quem possa achar que ele merece o destino que tem.

As boas atuações de Marisa Tomei (de Antes que o Diabo saiba que você está morto), stripper por quem Randy é apaixonado e de Evan Rachel Wood (de Across the Universe), sua filha, enriquecem os dramas do filme; a personagem de Marisa Tomei é stripper, mas sonha ter uma vida comum com um emprego digno e sua frustração em não conseguir é latente e a de Evan Rachel Wood vive o drama e a dor do abandono e as transforma em esperança com uma atuação correta.

O conjunto fala significativamente ao expectador e o roteiro de Robert D. Siegel tem narrativa que manipula cada uma das sequências para que aquela experiência seja vivida pelo público. Muito interessante.

Aronofsky sabe como ninguém mostrar a vida de alguém em crise com a idade, sozinho, sem futuro, assustado e que não sabe o que fazer da vida depois de não ter feito nada. A trilha sonora, toda dos anos 80, e os vários elementos de cena conseguem mostrar o quão presa ao passado está essa história.

Há, no longa, um momento memorável com a excelente metáfora que compara a entrada de Randy no ringue com sua entrada no balcão de frios de um supermercado.
As excelentes locações como o local preferido de Randy e sua filha ou o lugar onde fica o telefone público em que ele faz as ligações para seus agentes dão corpo ao (sub)mundo em que a história é contada.

Ao final do filme Randy não tem certeza sobre quem são as pessoas que realmente o amam ou onde é seu lugar, mas acredita em cada decisão tomada durante toda sua vida e, de alguma forma, não se arrepende delas.

O filme deve ser visto em um momento em que o astral está bom, pois não é indicado à pessoas em depressão.

Veja o trailer em: http://www.youtube.com/watch?v=PvCPRebf_Uk

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Um pensamento em “Filme: O Lutador

  1. Interessante. Não parece aqueles filmes tipo “Dragão Branco”. Vou assistí-lo hoje!

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