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lumiereNos idos de 1895 no Boulevard des Capucines, no centro de Paris, havia uma enorme fila que se estendia por centenas de metros, todos os que por lá passaram não puderam deixar de notá-la. Essas pessoas deviam imaginar o porquê de homens, mulheres e crianças estarem ali, protegidas do rigoroso inverno por pesados casacos a espera de sua vez de entrar em uma pequena sala do subsolo do Grand Café, faustosamente batizado de Salão Indiano.

Uma vez que os 100 lugares do salão estivessem tomados os expectadores, em frente a um pano branco estendido em uma das paredes do salão, assistiam a um fantástico espetáculo de luzes e movimento jamais imaginados naquela época. As imagens se movimentando em um pano branco e a verossimilhança com a realidade exibidas na grande tela eram realmente impressionantes.

A sessão durava cerca de 20 minutos e custava 1 franco por pessoa. Os que puderam participar desses primeiros momentos do “cinema” não devem ter se arrependido do tempo e dinheiro investidos.

Os responsáveis por isso eram os irmãos Auguste e Louis Lumière. Segundo Louis essa havia sido a mais fácil invenção de sua vida; nesse momento ele não deveria imaginar que seu cinema se transformaria em arte e em um negócio milionário que movimenta milhões em todo o mundo.

Em homenagem aos dois primeiros filhos do humilde casal Antoine, pintor de letreiros, e Jeanne-Joséphine, lavadeira, realizar-se-á de 7 a 16 de agosto de 2009, na Cinemateca Brasileira, a terceira edição da Jornada Brasileira de Cinema Silencioso.

Como nas edições anteriores, além das sessões dedicadas ao cinema brasileiro que contará com a exibição do filme, inédito no Brasil, The River of Doubt (O rio da dúvida), documentário da expedição à Amazônia realizada em 1914 pelo ex-presidente americano Theodore Roosevelt, em companhia do coronel Cândido Rondon, a Jornada privilegia a cinematografia nacional do período silencioso destacando os trabalhos dos arquivos de filmes de um determinado país e, nessa edição, aliando-se às manifestações relativas ao Ano da França no Brasil, apresentará o cinema silencioso francês.

Dentre os destaques da mostra, como era de se esperar, está uma coleção dos primeiros trabalhos dos irmãos Lumière. Em sessão imperdível no sábado às 19 horas será apresentada uma coletânea de curtas que terá o acompanhamento do instrumentalista brasileiro Léo Cavalcanti, que muitas vezes rouba a cena nas apresentações e acompanhamentos de que participa. Também interessantíssimas devem ser as sessões que contarão com o acompanhamento do pianista catalão Jordi Sabatés.

Além da exibição de curtas e longametragens a programação na Cinemateca e na Sala São Paulo ainda contará com conferencistas como Caroline Patte e Isabelle Marinone.

Se gosta de cinema e quer experimentar um pouco do que foi a invenção do cinema na França consulte a programação do evento em http://www.cinemateca.gov.br/jornada/prog_all.php e programe-se para perder apenas o que não conseguir “encaixar” em seus dias e horários. Por programas como esse vale a pena reprogramar esses dias de reclusão e cuidados com a saúde.

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