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Muitas coisas me chamaram atenção neste livro. As primeiras delas aconteceram antes de iniciar sua leitura. A capa é muito interessante: uma colcha de retalhos cuidadosamente escolhida pelo autor para servir de fundo aos personagens do romance. Explorando um pouco mais, antes de encontrar o índice há a página de abertura do livro, aquela antes da que tem o ISBN e as informações que pegamos para uma possível bibliografia, alguns a chamam de página de rosto, não gosto do termo; o importante aqui é que nela há o nome do autor e o nome do livro que pelo que pude perceber tem subtítulo, pelo menos para catalogação, ele se chama Retalhos: um romance ilustrado.

É isso, ele não é um quadrinho para adultos, com violência ou sexo que possa beirar a pornografia. Nele uma história é contada e para isso Craig Thompson se utiliza de tudo o que tem nas mãos e principalmente daquilo que não tem.

A maneira como Thompson descreve, escreve e desenha sua relação com o irmão mais novo é de uma sensibilidade rara. Um romance em quadrinhos que me faria discutir sobre o gênero se ele ja não fosse assim tão discutido e, se me permitem, discutível. Feito para pessoas que tiveram dúvidas na adolescência e na vida em geral, àqueles que não tinham certeza, mas sempre se acharam na obrigação de parecer tê-las.

Muitas vezes vi minha vida, e ainda a vejo, como uma página em branco. Fico louco para deixar minha marca nela. Veja que insano: quero deixar minha marca em minha vida. Uma marca dela nessa página supostamente em branco, ainda que essa marca seja vista só por mim ou que, mesmo se vista pelo outros, seja temporária. Uma vez me perguntaram o porque de estudar tanto, de trabalhar tanto, não sei a resposta exata a essa pergunta, até porque o contexto era outro, mas a sensação de prazer e até de poder que isso me dá ninguém nunca me propiciou.

Craig Thompson faz isso, deixa sua marca, uma marca sua em sua vida. Fenomenal!

São páginas e páginas dedicadas a representar uma única sensação, ao ler Retalhos fiquei, o tempo todo, com a sensação de querer ir rápido, pois queria saber o que aconteceria e ao mesmo tempo preso à página atual explorando cada detalhe das ilustrações e o que elas me contavam. Putz, elas dizem mais que páginas e páginas de alguns romances modernos… uma delícia de ler, na verdade Retalhos é uma delícia de experimentar.

Me senti como a muito tempo não me sentia ao ler um livro, fiquei triste por ele estar acabando, pensei: Que droga!, e agora o que vou ler?

Um livro para aqueles que acreditam que um romance é feito de retalhos, àqueles que acreditam que a vida é feita de retalhos, àqueles que acreditam que as relações familiares são feitas de retalhos, àqueles que acreditam que suas relações, sejam amorosas ou não, sejam feitas de retalhos, àqueles que acreditam ser feitos de retalhos, e principalmente àqueles que querem participar do que pode ser o novo meio de contar histórias. Leiam!

Craig Thompson com Retalhos venceu três prêmios Harvey, dois Eisner e um da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos. É editado no Brasil pela Companhia das Letras – Quadrinhos na Cia – e tem tradução de um velho conhecido dos quadrinhos, o jornalista Érico Assis.

Agradecimentos especiais à Carlos Eduardo Siqueira, o Kadu, professor do curso de pós-graduação da PUC em São Paulo, pela indicação. É, também, por momentos como esse, uma indicação totalmente despretenciosa, em comentário disperso, no intervalo de uma aula de poesia brasileira que estar na PUC é realmente valioso.

Não sei se é digno de nota, mas sempre soube, desde o primeiro quadrinho que a história teria tom autobiográfico, mas o Craig do livro é para mim o “CRÉG” enquanto o autor é o “CREIGUI”.

Uma vez disse em uma aula que uma autobiografia era 50% ficção, pois era a visão do homem sobre ele mesmo e isso não poderia ser classificado como “relato” histórico, e os outros 50% também. Quase me mataram. Ô gente ortodoxa. rs.

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5 pensamentos em “Retalhos, de Craig Thompson

  1. Assucena, vou fazer um trabalho na Universidade sobre esse livro, quando puder e se você quiser posso te mandar algo para ler.
    Abraço,

  2. Esse livro parece ser otimo, sou muito novo, tenho 14 anos. Minha escola nos deu esse livro como livro do bimestre, mas a coordenadora nos tirou o direito de ler a obra. Muito Provavelmente pelo conteúdo inapropriado. Uma pena, muitos alunos deixarão de ler essa íncrivel estoria. Todavia eu não, eu lerei e ja comecei, pelo o que vi, como citado antes, parece ser ótimo. Espero que todos apreciem esta obra literária. Saudações (nerdianas) Paulo José Simões

  3. Oi Paulo,

    Tem um engano em sua fala: a diretora não lhes tirou o direito de ler essa obra. Pelo contrário, ao, supostamente, proibi-la a torna ainda mais interessante. Foi e sempre será assim com a arte. Divirta-se nos retalhos de Craig Thompson e se quiser nos falamos outra hora.

    Boa leitura rapaz,

  4. começei a ler o livro, e já estou mais ou menos no meio dele… e indico sim pois é um livro muito bom!

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