Home

Chamo essa poética de desconhecida, pois ainda não a conhecia. Incrível como algumas vezes me coloco no centro do Universo; normalmente sou mais altruísta, mas depois de ouvir o Eucanaã recitar seus poemas em uma mesa de debate em que também estava o Antonio Cícero me permiti pensar só no meu prazer e depois pensar nos outros.

Nesta semana a PUC-SP e a UAb – Universidade Aberta de Lisboa – organizaram o III Simpósio de Literatura e Crítica Literária – Poesia Contemporânea – Travessias Poéticas Brasil & Portugal. Em uma das mesas de debates estavam os poetas Eucanaã Ferraz e Antonio Cícero. Ainda não conhecia o Eucanaã, pelo menos não da maneira como o vi-conheci.

Vê-lo recitar seus poemas já teria valido o Simpósio, que delícia ouvir um cara como ele…

Saí de lá parei na Livraria Cultura e comprei um de seus livros o único que tinha na livraria, mas encomendei outros, cheguei em casa tarde, exausto e no dia seguinte teria mais do Simpósio e ainda teria aulas à tarde, mas não consegui dormir sem ter lido o livro, li no caminho, em casa, no sofá e fui pra cama com ele, acordei com alguns poemas na cabeça e com o livro na mão. Dormi abraçado com ele e percebi que me apaixonei por um novo poeta…

Liguei prum amigo e disse: Estou apaixonado! E ele: Mas, Milton me diz uma coisa, pelo amor de Deus, ela não é casada, né? Me matei de rir e disse, putz cara, na verdade, não sei, mas isso não importa.

Para terminar esse post deixo um poema do Eucanaã de um de seus livros, livros que agora ocupam minha cabeceira:

A palma da tua mão não tem segredo…

A palma da tua
mão não tem segredo
algum. Letra em tua mão
é de nome nenhum.
Não há mistério nem mensagem
no lenho aleatório.

Tua mão tem destino noutras palmas.
Confidência, piedade, ira. Deixa que,
aberta, distribua-se ao ponto – à perfeição –
de não ser mais tua mão: pátio,
pouso necessário de quem jamais te viu.

Por favor, deliciem-se com esse maravilhoso poeta. Conheçam-no, ao menos através de seu site: http://eucanaaferraz.com.br

Anúncios

6 pensamentos em “Eucanaã Ferraz e uma poética desconhecida

  1. Milton,
    Que beleza de blog o seu!
    Seleção fina de um poema de Eucanaã e comentários de um leitor sensível e apaixonado, capaz de adormecer abraçado ao livro amado, como a menina-duplo de Lispector de Felicidade Clandestina

  2. Poxa Rosa, assim fico sem jeito… mas vale lembrar que tenho sido o que vocês têm me tornado. Obrigado.

  3. Oi, Milton

    Apareci sem querer aqui no seu blog e fiquei muito contente com sua maneira de falar, tão espontânea e cheia de interesse. Um leitor como você é tudo o que um poeta deseja. Mas ter esse desejo realizado é algo muito raro. Obrigado, abraço!

    Eucanaã

  4. Poxa Eucanaã, fico infinitamente envaidecido de tê-lo tido por aqui… Você e sua poesia têm feito muito por mim.
    Sabia que, depois de ti, escrevi um suposto livro com pequenos textos, que não me atrevo a chamar de poemas, com o título Nunca mais será setembro? Guardo o livro e você sempre comigo.
    Obrigado pela companhia e inspiração.
    Abraço,
    Milton

  5. Caro Eucanaã Ferraz,
    Meu nome é Miriam Vieira e estou pesquisando o diálogo entre arquitetura e literatura e gostaria de saber como posso ter acesso a sua tese de doutorado “Máquina de comover – a poesia de João Cabral de Melo Neto e suas relações com a arquitetura”. Meu e-mail é: miriamvieira@gmail.com
    Agradeço desde já,
    Miriam Vieira

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s