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548052Recentemente estive no Rio de Janeiro e em uma tradicional visita a Livraria Argumento, não consigo passar pela cidade sem tomar um suco, comer uma fatia de bolo no Café Severino e passar uma tarde entre os livros de lá, encontrei a primeira edição do livro de poesia do excelente Gregorio Duvivier.

Nele o a(u)tor apresenta seu humor lúdico e as vezes cáustico, mas principalmente expressa seu toque lírico como poucos. Fui apresentado ao Gregorio em Apenas o Fim, filme feito por estudantes da PUC-RJ em 2008 e dirigido por Matheus Souza em que dois namorados discutem a relação antes de se separarem. Guardadas as devidas proporções o filme me lembrou os meus preferidos Antes do Amanhecer e Antes do Por do Sol, de Richard Linklater estrelados por Julie Delpy e Ethan Hawke; e acho que foi esse sentimento que me fez começar a admirar o trabalho do Gregorio, um rapaz ao mesmo tempo comum e encantador .

Naquela época eu não sabia que ele havia escrito um livro de poesia. Só soube disso em algum momento do passado que não me lembro agora, mas como todos sabem é bem difícil encontrar livros de poesia a pronta entrega, seja na Cultura ou na Martins Fontes, e acabei por deixá-lo na lista de desejos que carrego em minha cabeça e de quando em vez acesso. Uma das gratas surpresas desses dias no Rio e de minha tarde na Argumento foi o fato de ter me deparado com o livro do Gregorio e poder me deliciar com cada um de seus poemas. Sou tão maníaco que o li na livraria, na praia, no hotel e no vôo de volta para São Paulo.

E foi esse o livro que me fez reativar meu blog, mudar seu nome e visual e voltar a ter disposição de, ao menos nas noites de insônia, escrever um pouco sobre literatura, cinema, música e afins.

Para finalizar esse curto post -os que me conhecem sabem que tendo a ser prolixo- transcrevo o poema da quarta capa do livro.

o meio de todas as coisas

entre o fim do começo e o começo
do fim toda coisa tem uma massa
inerte feito ponte pela qual
passamos distraídos – ou não:
os astecas sentiam chegar o exato
momento do meio da vida – o meio
do meio da vida, o momento em que
o que já vivemos é exatamente
igual ao que ainda não vivemos
– e nesse momento preciso o mais
comum dos astecas sentia uma súbita
e inexplicável vontade de tomar um trem
mas como ainda não o tinham inventado
ele acabava por entristecer-se
(daí a tristeza, essa vontade de algo
que ainda não inventaram)

Essa é sem dúvida uma das melhores e mais autênticas maneiras que já li ou ouvi de “definir” a tristeza. Pelo menos a que sinto algumas vezes…, mas embora esse poema não me saia do peito prefiro não pensar nisso exatamente nesses moldes, pois ainda quero experimentar a outra metade de minha vida.

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